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Diu

Histórias de gravidez com DIU fazem com que o método carregue falso estigma da ineficácia! Especialista defende que alguns métodos contraceptivos deveriam ser popularizados. O dispositivo intrauterino, por exemplo, é o mais recomendado para mulheres que têm pressão alta, diabetes e estão na pré-menopausa.

O obstetra Frederico Peret explica que quando se fala em contracepção as opções são tantas que a indicação de um método ou outro deveria considerar o histórico de saúde da mulher. “Deveríamos buscar uma forma de popularizar alguns métodos. Mulheres com risco cardiovascular não deveriam usar pílulas”, afirma. O especialista acredita que é preciso romper os dogmas – por exemplo, de que o risco de gravidez com DIU é altíssimo – para que as mulheres tenham a possibilidade de optar pelo método que mais se adequa ao histórico de saúde de cada uma.

Gravidez com DIU: risco é de 0,1%
O obstetra afirma que a taxa de falha do DIU é de 0,1% e varia um pouco de acordo com o modelo escolhido: o DIU de cobre ou o DIU medicado. “Os medicados têm eficácia muito próxima da ligadura de trompa e vasectomia”, afirma. Caso uma gravidez aconteça, a recomendação é retirá-lo desde que o dispositivo esteja acessível ao médico. Se não estiver, a orientação é não mexer. “Existe o risco de aborto ou de estimular o parto prematuro”, diz. Assim que confirmou que esperava um bebê, a esposa de Márcio Garcia passou pelo procedimento.

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Na maioria dos casos de gravidez com DIU, o que acontece é a mulher não fazer o controle da posição do dispostivo intrauterino. “Esse controle é muito importante e exige disciplina”, recomenda Peret. O protocolo é retornar ao médico entre 30 e 60 dias depois do procedimento e fazer um ultrasson. O segundo retorno é necessário 6 meses depois. Na sequência, o acompanhamento anual é indicado. “Muitos casos de gravidez com DIU é por que ele estava em uma posição incorreta”, diz.

Outros mitos rondam a gravidez com DIU: má formação e que a mulher não poderia parir via vaginal. “Não tem a mínima lógica. O DIU não causa defeito no feto e o dispositivo é expulso durante o parto normal”, afirma. O médico esclarece que a gravidez acontece na porção superior do útero e o contraceptivo fica na porção mais baixa. A regra máxima prevalece nesses casos: um pré-natal bem feito. “A maioria das mulheres, em termos numéricos ¾ das mulheres com DIU na gravidez, tem partos normais e gravidez que chegam no final”, pontua.

Mais usados

O DIU de cobre ainda é mais usado no Brasil já que, além de mais barato, está disponível no sistema público e privado de saúde. Os medicados entraram na cobertura obrigatória dos planos de saúde o que gerou um aumento nos últimos três anos. Para se ter uma ideia do impacto, enquanto o preço do de cobre varia entre R$ 20 e R$ 150, o medicado está entre R$ 500 e R$ 700. Outro ponto a favor do de cobre é a duração, a mulher pode ficar com o mesmo dispositivo por até dez anos. No caso dos endoceptivos – termo correto para designar o anticoncepcional
hormonal que é colocado dentro do útero e é conhecido como DIU medicado – o tempo máximo é de cinco anos.

Falta informação
Em países como os Estados Unidos, por exemplo, o DIU é muito usado. Por aqui, estigmas e medos rondam a opção das mulheres. “Na década de 70, alguns processos infecciosos junto com a ideia de que o método seria abortivo atrapalharam a aceitação no Brasil”, observa o especialista.

Quem não pode usar o DIU

Frederico Peret diz que mulheres com passado significativo de doença sexualmente transmissível, o risco de infecção pode ser mais grave. Aquelas que também já tiveram infecção na trompa não é recomendado.

O dispositivo já foi contraindicado para mulheres que nunca tiveram filho, mas não é mais impedimento. No caso do DIU de cobre, aquelas que tomam medicação anticoagulante ou têm história de hemorragia também devem evita-lo.

Já o endoceptivo, originalmente desenvolvido para tratar hemorragia, é motivo de indicação para o método contraceptivo.

Útero com excesso de miomas aumenta a chance de o DIU ser expulso.

FONTE: ‘Mudanças recentes no uso de métodos contraceptivos no Brasil: a questão da esterilização voluntária’, de Flávia Alfenas Amorim. Rio de Janeiro, 2009. (Arte: Soraia Piva)
FONTE: ‘Mudanças recentes no uso de métodos contraceptivos no Brasil: a questão da esterilização voluntária’, de Flávia Alfenas Amorim. Rio de Janeiro, 2009.